O conceito da identidade tem sido discutido ultimamente em função à idéia pós-moderna que a define como: "formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam (Hall, 1987). É definida historicamente, e não biologicamente". Então, basicamente isso quer dizer que a identidade é construída socialmente e não é fixa.
Eu quero falar sobre o meu cabelo e como ele atua de um jeito político em diferentes contextos. Quero analisar as conversas, as discussões, os comentários, e as falas sobre ele em diversos espaços e sentidos. O meu cabelo serve como um exemplo concreto da idéia da identidade pós-moderna. A opinião e identidade imposta sobre mim pelas pessoas que me rodeiam muda à medida que desloco o meu corpo no espaço e no tempo. Ao longo desse trabalho, vou fazer referência às categorias de sexo, gênero, nacionalidade e classe porque essas categorias são políticos e o meu cabelo é político.
Então, a pergunta principal que fazem sobre o meu cabelo é o por que. Normalmente as pessoas vêm, se aproximam e dizem....como é que você faz isso?....como pergunta para abrir a conversa. Falo sobre o jeito de dar nós e como trabalho com a argulha de crochet, que só lavo a parte da cima, só boto xampu na cabeça e deixo a água escorrer. Falo que sim, posso entrar na água e nadar só mas que o penteado rasta se desfaz mais fácil assim, então tento não molhar. Falo que quando molho o cabelo, ele demora muito para secar, que é pesado quando está molhado. Logo as pessoas (algumas perguntam e outras não) tocam uma mecha do meo cabelo. Tocam com muita delicadeza, como se fosse quebrar no contato com a mão. Elas inspecionam o cabelo, sentindo a sua textura o rolando na mão. Aí é que fazem a pergunta....e é todo seu esse cabelo? Sim, é sim. E então, é que chegam à pergunta que realmente queriam fazer no começo....por que fez isso ào seu cabelo? As palavras que usam para traduzir a sua curiosidade sobre o meu cabelo transmite a violência atrás por trás da pergunta. É como se o cabelo fosse estuprado. É vítima que merece algum tipo de consolo e carinho depois de um processo assim. Obviamente isso varia de pessoa a pessoa, de conversa a conversa, às vezes é mais cumprida e têm vezes que é mais breve. Porém, quase sempre envolve essas idéias básicas acompanhado com o elemento violento: eu fiz algo ao meu cabelo que o meu cabelo mesmo não queria. Para todas essas perguntas sobre, como, quanto, do meu cabelo, tenho respostas claras, definidas, preparadas e praticadas. Podia ser uma gravação que coloco no momento de alguem perguntar. Faço a voz aumentar do tom, o sorriso, as palavras iguais....tudo igual, todas as vezes. Já virou uma rotina. Só que quando chegam à pergunta final, não tenho uma resposta. Sempre fico sem palavras, sorrindo como se fosse a primeira vez que alguém me perguntava. Falo....mmmm, não sei por que fiz...gostei da aparência. Fiz com uma amiga num momento especial da minha vida, é um tipo de lembrança. As pessoas ficam decepcionadas com isso. Não era o que esperavam ouvir.
O meu corpo é político. É um campo de batalha que provoca classificação e preconceito à vista. É um dos sinais visíveis à distância: não sou daqui, como luzes fosforescentes piscando para atrair ao cliente. Rastaaaaaa, rastafari woman, rasta girl, bob marley, reggae. Tudo isso são comentários que ouço na rua pelo menos uma vez por dia. Não quero abordar o tema do machismo nem tocar nas idéias das cantadas na rua aqui. Não é esse o meu propósito, não dessa vez. Aqui, agora gostaria de falar sobre o conceito da identidade e da minha visão de como é visto aqui, onde sou gringa rasta. É obvio e visto de muito longe, e é fato. Aqui, as pessoas me perguntam se sou negra, se tenho ancestrais negras e quando digo que não, falam....mas, gostaria de ser negra? E as vezes ....mas, você deve ter sido negra em uma vida anterior. Uma vez estava no mercado modelo e estava querendo comprar uma estátua de uma mulher negra....essas de madeira que vendem lá. A mulher que estava me atendendo, me fez essas duas perguntas. Eu falei que sim, gostaria de ser negra e ela com um sorriso na sua cara falou, mas gostaria de ser de que cor? Gosta do meu cor ou desse (falou apontando para uma estátua, a mais negra que tinha no seu quiosque). Falei que não sabia e que tinha gostado das duas. E ela falou....mas, com certeza você foi negra em uma vida anterior. Essa reação foi muito diferente da que recebi na minha casa aqui e em outros lugares da cidade. Aqui, quando cheguei em casa pela primeira vez, minha irmã hospedeira falou para mim, "e...você fez o cabelo assim?" falei que sim, fazia três anos. Ela me olhou com uma cara quase de nojo e disse "eu nunca faria uma coisa assim" e acabou a conversa. Também outras pessoas tem me perguntado por que fiz isso ao meu cabelo liso. Uma vez, esperando o ônibus foi engraçado porque uma mulher começou a me falar sobre a manutenção desse estilo de cabelo. Falei para ela todas as coisas que sempre falo e ela ficou calada. Depois de um tempo, ela falou com um pequeno sorriso (percebei um pouco de tristeza atrás dela) “...é engraçado porque eu faço qualquer coisa para alisar o meu cabelo e você o tem, mas faz rasta. A gente devia trocar de cabelo.” Ela deu uma risada e subiu o ônibus.
O interessante é que as reações ao meu cabelo são diferentes, a depender dos lugares do mundo onde esteja. Tem as pessoas que nem sabem o que é um cabelo rasta. Me dizem, que lindas tranças! Quanto tempo tem? (Isso aconteceu na sua maioria das vezes no México). Quando falo, hum uns três anos, suas caras mudam completamente de interesse para um tipo de choque. Segue a pergunta....e como é que você consegue lavá-lo? Falo que são rastas e que lavo a cabeça só duas vezes por mês blá blá blá. Aquelas pessoas dão um passo para trás e com um sorriso na cara falam..... “ahhh...interessante.” Nos EUA, a reação mais interessante que tenho para compartilhar foi uma vez que estava trabalhando em uma clínica veterinária e enquanto estive agarrando um cachorro, o seu dono tocou o meu cabelo e falou..... “isso!? isso...é arte.” Durante a sua visita enteira estava comentando sobre quanto adorava e apreciava o meu cabelo. Outras pessoas lá nos EUA acham que só sou uma pessoa suja. Que nunca tomo banho e que vou roubar algo das lojas deles. Na Argentina foi interessante porque lá está na moda ter cabelo rasta. Entre outras razões, os argentinos, muitas vezes, achavam que eu fosse de lá e nem comentavam nada. Porém, finalmente, sempre para os hippies de qualquer lugar do mundo, significa não que gosto, mas que adoro a música reggae e sou rastafari de coração (sempre acompanhado com essa idéia de que gosto da natureza e de fumar maconha).
Agora, com isso, cheguei à questão da identidade nacional. Representa uma parte significativa da identidade de uma pessoa, pelo menos a gente foi criada para pensar assim. Obviamente de certa maneira funciona porque uma das primeiras coisas que as pessoas me perguntam no momento de nos conhecer é... é você da onde? Sempre digo que sou americana. Mas, muitas vezes nem me sinto americana. Não sei o que quer dizer ser americana. A nacionalidade é feita de fronteiras (muitas vezes) criadas ou pelo menos designadas e manipuladas pelos seres humanos na luta por ocupar um espaço maior para "um grupo determinado" de pessoas. Mas, realmente o que quer dizer isso? Como é que alguém chega a pertencer como integrante dessa coletividade de pessoas? É só o fato de ter nascido naquela região do mundo que supostamente educa a população "nacional" de certa maneira para que se sentem unificados? Eu sou americana. Essa é uma das minhas identidades aqui em Salvador (talvez a mais importante) porque ao dizer isso, vêm certos "privilégios" e outros preconceitos. Falo com sotaque norte-americano. Caminho do jeito norte-americano. Muitas pessoas me acertam e me chamam americana na rua. Mas, tem vezes que acham que sou argentina ou francesa ou as vezes alemã ou italiana. As vezes não corrigo eles, as vezes sim. Que aspecto do meu visual dá a impressão de que sou de um dos países que não é o meu? Acho que o meu estilo do cabelo tem provocado muitas dessas decisões de classificação, com um fator em comum: meu estatus como estrangeira.
A minha identidade flutua no espaço. É algo imposto em mim por outras pessoas. Até chega mais além do que só o preconceito baseada no cabelo rasta. Por roupas que uso e a biologia que elas escondem, faz que as pessoas pensem saber que o meu gênero é feminina, que sou mulher. Só que não raspo o cabelo das pernas (e essa é uma qualidade de homem). Então, pode ser que seja lésbica. As pessoas ficam pensando....será? É interessante que posso mudar a opinião e manipular o censo das pessoas de acordo com o visual que apresento. Que sou? Todo mundo julga as pessoas pela primeira impressão que lhes dão. Me dizem então, quem sou hoje?
Imagino que essa é a minha resposta da pergunta por que deixei o meu cabelo rasta. Já a respondi. Mas só com dizer que gosto da conversa que provoca nas pessoas dá justiça à complexidade da resposta elaborada com toda essa explicação? Não posso fazer esse discurso todo em uma rotina, nem quero fazer isso. Porque entre a poeira acumulada e sal do mar, enrolado no meu cabelo ficaram milhares de impressões, e comentários para sobrar. Ela vem com explicações e preconceitos, provoca conversa e estranhamento. O meu cabelo é inspirado e grotesco, é seco e molhado, feito e deixado. É tudo e é nada. O meu cabelo é o meu cabelo e não preciso um por quê. O meu cabelo é político porquê.
Veja no mapa de onde vêm nossos leitores. Seja bem vindo(a)!
Mostrando postagens com marcador gênero. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gênero. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Rastaaaa
Marcadores:
Amy,
aula de português,
classe,
estrangeiro,
gênero,
identidade,
interação com brasileiros,
intercultura,
raça,
sexualidade
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
parabéns, coisa gostosa!
Meu aniversário foi ontem. Fiz vinte um anos. Agora, sou de idade para beber em qualquer país do mundo (os EUA inclusive!).
Eu gosto de me vestir bem no meu aniversário, de me maquiar meu rosto com um pouco mais carinho, de escolher as minhas roupas. Quero me sentir linda no dia que envelheco. É um fato incontestável que mulheres, no geral, gostem de se arrumar, e acho que aniversários são nossos dias de exibição.
De qualquer modo acho que podemos concordar que quando uma mulher se veste no seu aniversário, ela não pensa em parecer pior que o normal.
Mas, aqui em Salvador, me encontrei pensando assim. Ou seja, eu queria parecer numa maneira que, por um dia do meu intervalo no Brasil, eu podia passar sem atraer atenção na rua. OU talvez seja melhor dizer "sem um alto-índice de atenção". (Eu sei o que são metas inatingíveis).
Vocês devem estar pensando que sou uma maluca. Já estabilizamos que mulheres gostam de se vestir bem, particularmente nas suas aniversárias. Por que, então, eu estaria dizendo que pensei só em me vestir mal?
Não sei quantos de vocês, meus prezados leitores, são mulheres, nem sei quantos de vocês moram na Bahia. Aliás, vou andar por frente pesando que você, portanto, não seja uma mulher baiana. Sendo assim, você não conheceria os rapazes das ruas de Salvador.
São os piores.
Não quero dizer que esses rapazes da rua não são homens respeitáveis nos seus empregos e casas. Mas quando eles chegam na rua, se tornam outras coisas.
Se eu fosse homem ou se fosse velha, essa entrada no blog não existiria. Não sou velha, nem homem. Sou uma jovem estrangeira que gosta de andar em vez de pegar ónibus e que gosta de usar roupa que me ajuda ficar confortável. Eu nego de usar calça jeans nesse calor infernal de Salvador!
E quando eu ando pelas ruas, recebo olhadas, recebo comentários. Segundo meu público, sou uma princesa, uma coisa linda, gostosa, Amazona, delícia. Carros param. Tenho medo de que eu vá ser a causa de um acidente de trânsito. (Hoje um rapaz quase atropelou um pedestre com o seu carro porque a cabeça dele estava fora da janela para ver-me melhor.)
Vou admitir, que a primeira vez que aconteceu, foi legal. Mas dias depois de dias de homens, de qualquer estação da vida e da sociedade, me chamando; fica cansativa. A verdade é que sou uma mulher - NORMAL! - que está de saco cheio disso. Chega disto rapazes!
No meu aniversário, meu dia especial, me vesti com carinho, com o desafio de, por um dia, evitar a atenção. Usei minhas bermudas mais feias e uma camisa grossa e grande. Não pintei minha cara; usei os meus óculos. Botei meu cabelo sujo pra cima. E saí de casa...
Os comentários pararam? Não. Nunca vão parar. Mas eu sabia que tinha tentado. E era bastante.
até logo minha gente,
lisa
Eu gosto de me vestir bem no meu aniversário, de me maquiar meu rosto com um pouco mais carinho, de escolher as minhas roupas. Quero me sentir linda no dia que envelheco. É um fato incontestável que mulheres, no geral, gostem de se arrumar, e acho que aniversários são nossos dias de exibição.
De qualquer modo acho que podemos concordar que quando uma mulher se veste no seu aniversário, ela não pensa em parecer pior que o normal.
Mas, aqui em Salvador, me encontrei pensando assim. Ou seja, eu queria parecer numa maneira que, por um dia do meu intervalo no Brasil, eu podia passar sem atraer atenção na rua. OU talvez seja melhor dizer "sem um alto-índice de atenção". (Eu sei o que são metas inatingíveis).
Vocês devem estar pensando que sou uma maluca. Já estabilizamos que mulheres gostam de se vestir bem, particularmente nas suas aniversárias. Por que, então, eu estaria dizendo que pensei só em me vestir mal?
Não sei quantos de vocês, meus prezados leitores, são mulheres, nem sei quantos de vocês moram na Bahia. Aliás, vou andar por frente pesando que você, portanto, não seja uma mulher baiana. Sendo assim, você não conheceria os rapazes das ruas de Salvador.
São os piores.
Não quero dizer que esses rapazes da rua não são homens respeitáveis nos seus empregos e casas. Mas quando eles chegam na rua, se tornam outras coisas.
Se eu fosse homem ou se fosse velha, essa entrada no blog não existiria. Não sou velha, nem homem. Sou uma jovem estrangeira que gosta de andar em vez de pegar ónibus e que gosta de usar roupa que me ajuda ficar confortável. Eu nego de usar calça jeans nesse calor infernal de Salvador!
E quando eu ando pelas ruas, recebo olhadas, recebo comentários. Segundo meu público, sou uma princesa, uma coisa linda, gostosa, Amazona, delícia. Carros param. Tenho medo de que eu vá ser a causa de um acidente de trânsito. (Hoje um rapaz quase atropelou um pedestre com o seu carro porque a cabeça dele estava fora da janela para ver-me melhor.)
Vou admitir, que a primeira vez que aconteceu, foi legal. Mas dias depois de dias de homens, de qualquer estação da vida e da sociedade, me chamando; fica cansativa. A verdade é que sou uma mulher - NORMAL! - que está de saco cheio disso. Chega disto rapazes!
No meu aniversário, meu dia especial, me vesti com carinho, com o desafio de, por um dia, evitar a atenção. Usei minhas bermudas mais feias e uma camisa grossa e grande. Não pintei minha cara; usei os meus óculos. Botei meu cabelo sujo pra cima. E saí de casa...
Os comentários pararam? Não. Nunca vão parar. Mas eu sabia que tinha tentado. E era bastante.
até logo minha gente,
lisa
Marcadores:
blog,
gênero,
identidade,
leitor,
Niftney
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Eu sou...
Quem sou? Antes de tudo eu sou Amy. Sempre começo assim porquê acho que assim surgem menos preconceitos. Eu sou Amy não só porque assim minha mãe quis quando nasci nem porque reivindico o título. Além de ser presa às construções sociais que relacionam o gênero feminina e o sexo biológico com o nome Amy, eu sou. Sou Amy só porque sim. Será que as pessoas querem mais? Algo assim como uma apresentação formal tipo: Sou Amy. Sou de Wisconsin. Gosto de comer doces e rir e gosto dos animais. Sou vegetáriana, feminista, e talvez hippie. Estudo Letras (que realmente existe somente como uma tradução do meu título que faz minha vida entendível para o mundo fora dos EUA porque o que realmente faço é Espanhol). Ah, foi etnocêntrica por minha parte dizer que sou de Wisconsin, como se fosse algo que o mundo inteiro deveria saber? Sou dos Estados Unidos. Sou da américa do norte, sou americana. Sou do Ocidente...do mundo. Sou, sou, sou. Já têm uma ideia de quém sou? O meu jeito de escrever indicou algo? Já tenho categoria e rotulo?
Agora gostaria de dizer uma coisa concreta sobre mim. As razões porquê decidi vir ao Brasil porque acho que diz mais de quém sou do que uma apresentação formal. Então, o Brasil realmente nunca foi um destino almejado, desejado com paixão por anos e anos. Para mim, num primeiro instante, vim para o Brasil só para aprender a lingua, para satisfazer o meu desejo egoísta de poder me comunicar melhor com a comunidade que mora na região geográfica que me deixou apaixonada, a zona considerada como "América Latina". Queria poder assistir filmes, escutar música e debates, ler literatura--basicamente fazer todas as coisas eruditas associadas com a academia que sem a entrada importante (o conhecimento do Português tanto cotidiando como clássico) não seria possível. Somente depois veio a paixão pela língua portuguesa, pelo sotaque nordestino, pelas pessoas, pela "cultura", pela vida adaptada ao estilo e ritmo espicífico que oferece Salvador. Com certeza não sou a primera pessoa a dizer isso, nem serei a última. Tenho amigas que já o fizeram. É provável que elas tenham me influenciada, com as suas histórias e contos de aventuras, música, festa, dificuldades com a língua, tudo o que se escuta contar quando as pessoas viajam. Mas, falar é diferente de experiumentar. Então, quando voltar vou ter uma historia similar à que me contaram tantas outras pessoas, mas não será igual. O Brasil para mim, agora, nesse instante é isso. Vou aprender a língua, além das razões "intelectuais", porque não tem outro jeito. Moro aqui, como aqui, rio aqui, estou aqui.
Vou dedicar o meu espaço aqui no blog as minhas observações e experências no cotidiano que vou vivendo aqui em Salvador. Embora essa coleção de opinões e comentários tem uma conexão forte com a política, o que são baseadas principalmente na minha nacionalidade. Porém, ao longo desse blog, gostaria de esquecer das fronteiras, só por um momento, um espaço virtual, e repetir que "estrangeiro é o bairro em que moramos, estrangeira é a mulher que encoxamos no elevador, extrangeiros são nossos pais, nossos filhos" porque ao final "não há nada a fazer a não ser descobrir esse estrangeiro que há na gente"(Lessa). O conto “Somos todos extrangeiros” por Ivan Lessa foi, por casualidade ou coincidência ou possivelmente destino, o primeiro conto que li em português, pouco depois de chegar ao Brasil. Com isso dito, só falta começar. Vamos lá gente.
Agora gostaria de dizer uma coisa concreta sobre mim. As razões porquê decidi vir ao Brasil porque acho que diz mais de quém sou do que uma apresentação formal. Então, o Brasil realmente nunca foi um destino almejado, desejado com paixão por anos e anos. Para mim, num primeiro instante, vim para o Brasil só para aprender a lingua, para satisfazer o meu desejo egoísta de poder me comunicar melhor com a comunidade que mora na região geográfica que me deixou apaixonada, a zona considerada como "América Latina". Queria poder assistir filmes, escutar música e debates, ler literatura--basicamente fazer todas as coisas eruditas associadas com a academia que sem a entrada importante (o conhecimento do Português tanto cotidiando como clássico) não seria possível. Somente depois veio a paixão pela língua portuguesa, pelo sotaque nordestino, pelas pessoas, pela "cultura", pela vida adaptada ao estilo e ritmo espicífico que oferece Salvador. Com certeza não sou a primera pessoa a dizer isso, nem serei a última. Tenho amigas que já o fizeram. É provável que elas tenham me influenciada, com as suas histórias e contos de aventuras, música, festa, dificuldades com a língua, tudo o que se escuta contar quando as pessoas viajam. Mas, falar é diferente de experiumentar. Então, quando voltar vou ter uma historia similar à que me contaram tantas outras pessoas, mas não será igual. O Brasil para mim, agora, nesse instante é isso. Vou aprender a língua, além das razões "intelectuais", porque não tem outro jeito. Moro aqui, como aqui, rio aqui, estou aqui.
Vou dedicar o meu espaço aqui no blog as minhas observações e experências no cotidiano que vou vivendo aqui em Salvador. Embora essa coleção de opinões e comentários tem uma conexão forte com a política, o que são baseadas principalmente na minha nacionalidade. Porém, ao longo desse blog, gostaria de esquecer das fronteiras, só por um momento, um espaço virtual, e repetir que "estrangeiro é o bairro em que moramos, estrangeira é a mulher que encoxamos no elevador, extrangeiros são nossos pais, nossos filhos" porque ao final "não há nada a fazer a não ser descobrir esse estrangeiro que há na gente"(Lessa). O conto “Somos todos extrangeiros” por Ivan Lessa foi, por casualidade ou coincidência ou possivelmente destino, o primeiro conto que li em português, pouco depois de chegar ao Brasil. Com isso dito, só falta começar. Vamos lá gente.
Assinar:
Postagens (Atom)